Dominar ou se deixar dominar… é discutível.

Por *Tomas, do blog Casos sobre Casos.


Esse  tema caiu como uma luva porque recentemente tive duas experiências distintas que acredito ilustrarem bem minha opinião sobre a discussão em pauta.
Moça A: temperamento forte, desembaraçada, sem frescuras. Err…Rock’n’roll.
Ex-namorada de um colega. Tinha seu contato há anos aqui, mas só há pouco começamos a nos falar constantemente e em um certo momento acordamos que os dois estavam querendo sexo e simpatizavam um com o outro. Marcamos um encontro e quando nos vimos em um bar já sabiamos que iriamos transar naquela noite. Como não escondíamos o assunto e continuávamos a conversar sem pudores, durante o papo no bar eu descobri duas informações interessantes:
1- Ela gostava tanto de dominar quanto de ser dominada e queria as duas coisas;
2- Ela não gostava de tapa na bunda (“Um tapinha só, ok. Sem problemas, mas não fica dando tapa porque eu não gosto“).
Deixamos os detalhes de lado e partimos para a transa que foi sensacional. Repetimos no dia seguinte e na manhã do outro. Alternamos papéis, curtimos demais o final de semana e dei só um tapa na bunda quando ela se virou sorrindo e disse: “Você tá morrendo de vontade de dar um tapa, né? Pode dar!” – SLAM, biacth!
Moça B: delicada, de poucas palavras, chique, bem jovem. Hummm…Princesinha.
Depois de algumas noites de pegação havia chegado a hora do sexo. Ela gemia baixinho e gostoso durante as preliminares e o sexo oral (não considero sexo oral como preliminar). Tudo parecia bem. Comecei a penetração explorando em leves investidas cada passagem de anel vaginal quando na quarta estocada ela abriu os olhos, séria, e mandou na lata: Querido, enfia todo esse cacete para eu sentir ele inteiro”. Me chocou um pouco, mas topei. Toma!!! Sua cabeça pendeu para trás, abriu a boca, os olhos reviraram e ela segurou com um abraço meu corpo para que eu não me movimentasse. Eu lá estático e pensando “Querido?“. Um segundo, dois, três, quatro, cinco seis, sete. Aí ela novamente me olhou e ordenou:“Agora mete assim e dessej jeito, nesse ritmo…”
Acho que é importante que eu conte um aspecto meu nesse momento. Sabe quando você vai à uma peça de teatro ou o cinema e você odeia logo de cara o que está assistindo? Eu sou aquele que levanta e vai embora nos primeiros quinze minutos quando acho que não vale a pena compactuar com uma produção ruim. O valor do ingresso começa a custar mais caro a cada minuto de exibição e no caso da Moça B, por mais que a protagonista e o trailer prometessem, a direção se mostrou péssima. Digo isso morrendo de pena, porque ADORO feedback na cama. Acho fantástico descobrir como cada mulher gosta de cada coisa, mas as falas e o timing… estavam horríveis.
Nem havia engrenado na sintonia fina da posição naquele momento e o “querido” profanado veio como um soco no ego. “Querido” é condescendente demais para uma primeira transa com o cara. Eu nunca nem imaginaria quebrar o ritmo e o andamento para sugerir uma mudança de arranjo no meio do compasso: “Filhinha… rebola aí! E vê se requebra direito!” Não dá, né? Pelo menos não na primeira transa dos dois. É preciso de um mínimo de tato quando se está descobrindo a outra pessoa em um momento tão íntimo.
Tem homem que realmente não se abala, não se importa ou até que curta. Ora bolas, tem homem que enfia o pau em qualquer coisa que se mexe. Não é meu caso. Desengatei e dissei: “sinto muito, mas não vai rolar“. Ela entendeu e até pediu desculpas. Disse que não precisava se desculpar e que tentaríamos depois em breve.
Dias depois fomos novamente para a cama e rolou tudo ótimo. Ela adorou (ou será nominada para o Oscar) e eu só não achei a transa sensacional porque dessa vez  forcei a minha imposição como dominador ao invés de deixar rolar e deixar cada um dos papéis se desenvolver aos poucos e naturalmente.
A conclusão que cheguei é que sou dominador por natureza, mas posso aceitar o papel como dominado. O que não posso é ser dominado sem aceitar primeiro o papel. A grande diferença entre os dois casos foram a comunicação e o entendimento. Não tem mágica. O sexo sempre será melhor quando as partes envolvidas possuem um mínimo de conhecimento sobre o outro e quando essas informações ainda não estão disponíveis, meu conselho é manter-se no padrão básico: Moça submissa na cama e macho dominador devastando o que encontra pela frente. Funciona que é uma beleza na maioria dos casos. Com o tempo vocês vão se acertando e definindo melhor seus papéis de acordo com o gosto de cada um.
P.S.: A Moça A perguntou se eu curtia um tapa na bunda. Respondi que sim. Não me dá tesão, mas acho divertido e sexo tem de ser isso mesmo. Slap!



 

Sobre *Tomás

Carioca com mais de 30 anos. Vida sexual ativa, sem papas nas línguas, adora uma perversãozinha, fetiches e nunca comeu uma ruiva de verdade. Autor do Casos sobre Casos.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Bruna
    fev 09, 2011 @ 02:44:59

    Olá,
    Eu adorei o blog de vocês, andando por aí procurando blogs de sexo encontramos um mar de marasmo, de mais do mesmo, de recalque, é bom ver que eu não sou a única a falar de sexo sem frescura.
    http://sexata.blogspot.com/

    Resposta

  2. Bebel
    fev 10, 2011 @ 18:00:28

    Me parece que em parte ele não gostou da tentativa de ser dominado por realmente não esperar isso da garota. Pela forma que ele descreveu-a (princesinha) ele criou uma expectativa diferente.

    Resposta

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