A lenda da princesa


Muita gente vive na ilusão de que basta esperar e homem certo aparecerá na sua vida. Como tudo que queremos, precisamos correr atrás. A maioria dessas pessoas que esperam nem mesmo sabem o que estão procurando.

O tempo da Cinderela já passou, mas tem muita mulher que ainda acha que tem que ser escolhida e passa a vida esperando seu príncipe chegar no cavalo branco. Se você pensa assim, desculpe a decepção, mas encontrar o homem da sua vida num acidente de trânsito, na lavanderia ou na fila do banco costuma funcionar bem nos filmes. A vida real é um pouco diferente.

Para começar é preciso ter em mente todos os dias que temos um poder de escolha valiosíssimo. Há algum tempo atrás, a mulher não tinha esse direito – casar era um negócio entre famílias. Era preciso aprender a gostar com o tempo. Hoje, temos a faca e o queijo na mão. Mas, para poder escolher, é preciso saber muito bem do que se gosta. Você já pensou nisso? Já sabe qual tipo de pessoa quer escolher para ter ao seu lado? E será que esse tipo existe na face da Terra, ou é apenas uma imagem utópica do Mr. Right criado pela sua fértil imaginação? Não dá para ter tudo. É preciso priorizar.

Dirijo esse pensamento principalmente às mulheres. É difícil entender porque elas, as mesmas que fizeram uma revolução sexual, que lutaram por seus direitos e que conquistaram independência, ainda podem ter pensamentos como os do tipo “Você vai ficar com uma fama ruim se correr atrás dele”, “Homens só gostam das mulheres que se fazem de difíceis”, ou ainda, “É o homem que tem que tomar a iniciativa”. O homem? Por que o homem? Por que ceder o seu poder de escolha para o homem? As mulheres têm que escolher, e não somente serem escolhidas.

Exemplo clássico: a mulher está no bar com as amigas e de repente bate o olho em um cara que a atrai. Mas ela fica lá, completamente passiva, fazendo charme e se fingindo de desencanada, apenas lançando alguns olhares raros, esperando que o homem venha tomar a iniciativa. Depois de algumas horas de espera, o homem vai embora do bar sem se aproximar – muito provavelmente porque não conseguiu decifrar se a mulher realmente o olhou porque estava afim ou porque o achou parecido com alguém. E ela fica lá, a ver navios, se sentindo rejeitada. E o pior: depois de algum tempo, outro cara, não tão interessante para ela, se aproxima e ela, acaba ficando com ele por falta de opção. Ou seja, ela não escolheu, foi escolhida. Não teria sido muito mais fácil ter se aproximado do outro e puxado conversa de alguma forma? O que ela teria perdido? Poderia no máximo não ser correspondida, mas todos nós conseguimos sobreviver muito bem a um fora. São coisas da vida.

Outros prejudicados nessa história são os homens, que tem que sempre ficar com o papel difícil de “chegar”, puxar conversa, tentar agradar, agüentar todo o c$ doce para, muitas vezes, levar um “não” no final. Já está imposto na sociedade – as mulheres dão o fora e os homens os levam, criando um ciclo vicioso.

Há então, duas escolhas: a primeira é viver a vida reclamando que não existe ninguém que presta, ninguém legal, que todos as pessoas interessantes não estão disponíveis. A outra é deixar os tabus de lado e correr atrás do que quer. Cada qual com o que merece.

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